terça-feira, 22 de setembro de 2009

Efeméride...

1970 - Será possível convencer os moradores dos subúrbios a não trazerem os seus automóveis para Lisboa?

A pergunta, formulada pelo professor alemão Kurt Leibbrand, técnico da O.C.D.E, durante uma conferência sobre planificação dos transportes urbanos, realizada a 22 de Setembro de 1970, reflectia a dificuldade em convencer os moradores dos subúrbios a não trazerem os carros para a baixa, que era, na altura, o coração comercial de Lisboa. Para aliviar a intensidade do tráfego naquela zona, com a consequente maior fluidez dos transportes públicos, aquele técnico propunha que se criassem, em vários pontos da cidade, grandes centros autónomos, onde se instalassem os escritórios das grandes empresas, sugerindo, entre outras zonas, a Avenida da Liberdade e a Avenida da República.



Fonte: Diário de Notícias n.º 37554, de 23-09-1970, p. 12


A proposta obteve bom acolhimento, já que, nas citadas zonas, um apreciável número de prédios de habitação foi demolido e, em seu lugar, surgiram edifícios de escritórios. Simultaneamente, inúmeros andares inseridos em antigas áreas residenciais, ao ficarem devolutos, eram alugados, por elevado preço, para escritórios, arrastando para a periferia potenciais moradores particulares. Em poucos anos, Lisboa perde dezenas de milhares de habitantes, transformando-se numa urbe essencialmente terciária, enquanto que os antigos subúrbios dão origem a enormes cidades cujos habitantes contribuem significativamente para o caudal de viaturas que, diariamente, demandam a capital do País. Apesar de ter havido, nos últimos anos, uma substancial melhoraria da rede de transportes públicos, uma boa parte da população da Grande Lisboa continua a preferir deslocar-se na sua viatura particular, agravando, cada vez mais, este status quo. Surge, no entanto, uma luz ao fundo do túnel neste panorama: o elevado preço praticado no mercado imobiliário de Lisboa por espaços destinados a escritórios e a sua pequenez, têm levado muitas empresas a apostar numa mudança dos seus serviços administrativos para zonas periféricas, o que talvez venha a contribuir para um ligeiro decréscimo da entrada de carros em Lisboa.



Já vamos com 39 anos de pura estupidez.
Tá boa não tá ?

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