quarta-feira, 4 de novembro de 2009

António Sérgio 1950- 2009 - Obrigado Lobo, Obrigado Viriato



"SOS-Save Our Souls"





Quarta feira, 4 de Novembro de 2009. 19h 34m






Sábado de manhã, antes de partir para o porto, a titulo de curiosidade que me lembrei na noite anterior comentei com a inês o facto coincidente do Mestre António Sérgio se intitular de "Viriato" -no seu tom anestesiante e melódico no seu já sentido Viriato 25- dada a localização da Radar ( R. Viriato, Picoas - Onde hoje até era para lá ter estado ).






Porque na noite anterior tinha faltado à aula de Direito de Autor, em prol de um bastante agradável momento com Inês e Neiva, foi a ultima vez que eu e a Inês, ouvimos o seu etér melódico a pronunciar "SOS- Save our souls"...
Como consequência de falta de oportunidade durante este fim de semana, e também pelo facto da Radar, "estereofonicamente ainda se dirigir ao publico de Lisboa", e também ainda por assumida vontade de lidar o menos possível com meios de comunicação durante estes belos dias que se passaram, só agora soube do desaparecimento de António Sérgio. Um nó, hoje, quarta feira se fez sentir enquanto abri mais uma vez o site da Radar e dei conta desta noticia.
Mal sabia que sexta feira, foi a ultima vez que todos nós tivemos o previlégio de ouvir a sua voz, o seu balutarte da resistência ( RESISTIR É VENCER! ), o seu tom melódico, sarcástico e unico que me acompanhava já à uns anos desde a hora do lobo.
Desde esses momentos, tão bem e mal passados, anos após anos na rádio comercial - o que me ri invariavelmente pelo seu jingle na comercial - o mestre alegrou e deprimiu , momentos de alegria, euforia, nas inumeras vezes, que, iamos cá para cima ou ainda para o carro de alguem fecharmo-nos a fumar ganzas em frente à linha de comboio, como tantas e tantas vezes fizemos. Era também o Lobo que lá estava. Era geralmente sempre a escolha mais consensual nas nossas bandas sonoras para aqueles e tantos outros momentos. Era ao som dele que me ri, que anhei, que simplesmente colei e principalmente dizia "isto é muita bom, o que é? " - A resposta vinha sempre a seguir naquele tom que só aquele fazia sentido.
Ri, chorei, saltei, anhei, falei sem ouvir, ao som das sagradas playlists que tive o previlégio de seguir, fosse na hora do lobo, fosse no viriato, o eterno Heroi que virara Lobo, intelecto e por exelência o mais completo didata e investigador musical, que, como ninguem me ensinou e me fez também ser o que sou hoje musicalmente. Mas sou o pouco que sou, mas nem por isso consigo de expressar este nó que ainda me atravessa de nunca mais poder fazer amor ao ouvir o Viriato 25, pois irá concerteza causar estranheza.
Quero agradeçer a quem mais me influênciou para ouvir a unica rádio que acompanho à largos anos, e também a quem melhor me instruíu musicalmente e me fez espalhar a palavra, num gesto de envagelhização, tão saudavel e nobre quanto a sua dedicação por todos aqueles que ouvem e sentem a musica.
Quero também,- e como alguns dos poucos leitores bem o sentiram - agradeçer a legitimidade que quase sempre tive, para em momentos por vezes até complicados de interromper violentamente a conversa apenas e só para poder ouvir o começo de mais uma sessão de Viriato 25, indiscutivelmente o melhor jingle de rádio que já ouvi. Anestesiante, reconfortante, familiar.
Recordo com nostalgia todas as horas perdidas e focadas nos gradeamentos da linha de comboio, nas horas de conversa sobre tudo e mais alguma coisa, e em todos os momentos que foram tão melhorados pelo Lobo.


Até já.

Como já li e recito .




"António sérgio foi o John Peel português. Portugal não mereceu o Lobo."


Obrigado.



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