segunda-feira, 28 de setembro de 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Vacina expermental para a SIDA com resultados promissores!

Uma vacina experimental para a SIDA reduziu pela primeira vez de forma significativa o risco de infecção, disseram hoje investigadores americanos e tailandeses em Bangkok, na Tailândia. “É a primeira vez no mundo que se encontra uma vacina que pode prevenir a infecção do HIV”, disse o ministro da Saúde tailandês. A sua aplicação pode ser limitada e uma vacina comercial vai demorar algum tempo, mas abre-se uma promissora via de investigação.

A vacina – que junta duas vacinas antes experimentadas – foi administrada a 16 mil pessoas naquele país: todos voluntários seronegativos com idades entre os 18 e os 30 anos e uma exposição ao risco de contaminação considerada semelhante à média das pessoas.
Foi o maior teste do género alguma vez realizado para prevenir a contaminação pelo vírus que provoca a SIDA, o HIV. Investigadores descobriram que a vacina reduziu em cerca de um terço o risco de contracção do vírus.
O teste foi conduzido pelo ministério da Saúde da Tailândia e o exército norte-americano, e financiado pelos Estados Unidos.
Já numa reacção esta manhã em Paris, o laboratório Sanofi-Pasteur, divisão de vacinas do grupo Sanofi-Aventis, considerou que os testes da vacina representavam uma “primeira demonstração” de que uma vacina contra a SIDA podia “tornar-se realidade”. “Apesar de modesta, a redução do risco de infecção pelo HIV é estatisticamente significativa”, comentou à AFP Michel DeWilde, vice-presidente para a investigação e desenvolvimento no Sanofi-Pasteur.
Duas agências das Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde e a ONUSIDA, disseram que este desenvolvimento dá “nova esperança” no combate à doença, notando também que é preciso mais trabalho.
“Não antecipamos que uma vacina comercial seja disponibilizada durante algum tempo, mas foram finalmente elevadas as possibilidades de uma vacina eficaz” depois de 30 anos, disse à Reuters um investigador ligado à multinacional ABN AMRO.
Segundo a ONU SIDA, à volta de 33 milhões de pessoas têm o vírus HIV. Em 2007, houve 2, 7 milhões de contágios e dois milhões de mortes por causa da SIDA
O ritmo de transmissão do HIV caiu em alguns países, mas globalmente mantém-se igual.
Dois terços das pessoas infectadas com o vírus vivem na África subsaariana.



Metade dos infectados são mulheres.
Entre 330 mil e 410 mil menores de 15 anos foram infectados em 2007. O total de crianças com HIV aumentou de 1,6 milhões em 2001 para 2 milhões em 2007. 90% destas crianças vive em África.

 
 
 
In http://www.esquerda.net/ - Portal do Bloco de Esquerda




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Com um dia de atraso!





Parabens :)

Petição importante

http://www.pnetpeticoes.pt/deducao_despesas_saude_animal_irs

Grande parte de nós já nos deparamos com avultadas contas em medicamentos, tratamentos e outras contas para tratar os nossos animais de estimação. Muito se fala em proteger os animais. É obrigatória a sua vacinação e tratamento, trata-se de uma situação de prevenção da saúde publica, mas nenhum dos encargos médicos com os nossos amigos animais podem ser incluídos na declaração do IRS.



Porque acho que deveria ser o contrário, convido-a(o) a assinar esta petição apara posterior envio À Assembleia da República










Petição:


Os abaixo assinado, amigos dos animais, vêm solicitar que seja possível incluir na declaração do IRS as despesas com a saúde dos animais de estimação.



Obrigado

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

time as told me *

Time has told me

Youre a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.

And time has told me
Not to ask for more
Someday our ocean
Will find its shore.


So i`ll leave the ways that are making me be
What I really dont want to be
Leave the ways that are making me love
What I really dont want to love.


Time has told me
You came with the dawn
A soul with no footprint
A rose with no thorn.

Your tears they tell me
Theres really no way
Of ending your troubles
With things you can say.


And time will tell you
To stay by my side
To keep on trying
til theres no more to hide.


So leave the ways that are making you be
What you really dont want to be
Leave the ways that are making you love
What you really dont want to love.

Time has told me
Youre a rare rare find
A troubled cure
For a troubled mind.



And time has told me
Not to ask for more
For some day our ocean
Will find its shore.



Fragmento *

Morri...




Morreu o ultimo pedaço da minha infância.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Efeméride...

1970 - Será possível convencer os moradores dos subúrbios a não trazerem os seus automóveis para Lisboa?

A pergunta, formulada pelo professor alemão Kurt Leibbrand, técnico da O.C.D.E, durante uma conferência sobre planificação dos transportes urbanos, realizada a 22 de Setembro de 1970, reflectia a dificuldade em convencer os moradores dos subúrbios a não trazerem os carros para a baixa, que era, na altura, o coração comercial de Lisboa. Para aliviar a intensidade do tráfego naquela zona, com a consequente maior fluidez dos transportes públicos, aquele técnico propunha que se criassem, em vários pontos da cidade, grandes centros autónomos, onde se instalassem os escritórios das grandes empresas, sugerindo, entre outras zonas, a Avenida da Liberdade e a Avenida da República.



Fonte: Diário de Notícias n.º 37554, de 23-09-1970, p. 12


A proposta obteve bom acolhimento, já que, nas citadas zonas, um apreciável número de prédios de habitação foi demolido e, em seu lugar, surgiram edifícios de escritórios. Simultaneamente, inúmeros andares inseridos em antigas áreas residenciais, ao ficarem devolutos, eram alugados, por elevado preço, para escritórios, arrastando para a periferia potenciais moradores particulares. Em poucos anos, Lisboa perde dezenas de milhares de habitantes, transformando-se numa urbe essencialmente terciária, enquanto que os antigos subúrbios dão origem a enormes cidades cujos habitantes contribuem significativamente para o caudal de viaturas que, diariamente, demandam a capital do País. Apesar de ter havido, nos últimos anos, uma substancial melhoraria da rede de transportes públicos, uma boa parte da população da Grande Lisboa continua a preferir deslocar-se na sua viatura particular, agravando, cada vez mais, este status quo. Surge, no entanto, uma luz ao fundo do túnel neste panorama: o elevado preço praticado no mercado imobiliário de Lisboa por espaços destinados a escritórios e a sua pequenez, têm levado muitas empresas a apostar numa mudança dos seus serviços administrativos para zonas periféricas, o que talvez venha a contribuir para um ligeiro decréscimo da entrada de carros em Lisboa.



Já vamos com 39 anos de pura estupidez.
Tá boa não tá ?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O factor Deus

Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos mas até a mais obtusa das imaginações poderá “ver” cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes.

Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, desta vez há uma segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro.
Algures em Israel. Enquanto alguns soldados israelitas imobilizam um palestino, outro militar parte-lhe à martelada os ossos da mão direita. O palestino tinha atirado pedras.

Estados Unidos da América do Norte, cidade de Nova Iorque. Dois aviões comerciais norte-americanos, sequestrados por terroristas relacionados com o integrismo islâmico, lançam-se contra as torres do World Trade Center e deitam-nas abaixo. Pelo mesmo processo um terceiro avião causa danos enormes no edifício do Pentágono, sede do poder bélico dos States. Os mortos, soterrados nos escombros, reduzidos a migalhas, volatilizados, contam-se por milhares.

As fotografias da Índia, de Angola e de Israel atiram-nos com o horror à cara, as vítimas são mostradas no próprio instante da tortura, da agónica expectativa da morte ignóbil. Em Nova Iorque tudo pareceu irreal a princípio, episódio repetido sem novidade de mais uma catástrofe cinematográfica, realmente empolgante pelo grau de ilusão conseguido pelo engenheiro de efeitos especiais, mas limpo de estertores, de jorros de sangue, de carnes esmagadas, de ossos trilhados, de merda. O horror agachado como um animal imundo, esperou que saíssemos da estupefacção para nos saltar à garganta. O horror disse pela primeira vez “aqui estou” quando aquelas pessoas saltaram para o vazio como se tivessem acabado de escolher uma morte que fosse sua. Agora o horror aparecerá a cada instante ao remover-se uma pedra, um pedaço de parede, numa chapa de alumínio retorcida, e será uma cabeça irreconhecível, um braço, uma perna, um abdómen desfeito, um tórax espalmado. Mas até mesmo isto é repetitivo e monótono, de certo modo já conhecido pelas imagens que nos chegaram daquele Ruanda de um milhão de mortos, daquele Vietname cozido a napalme, daquelas execuções em estádios cheios de gente, daqueles linchamentos e espancamentos daqueles soldados iraquianos sepultados vivos debaixo de toneladas de areia, daquelas bombas atómicas que arrasaram e calcinaram Hiroxima e Nagasaqui, daqueles crematórios nazis a vomitar cinzas, daqueles camiões a despejar cadáveres como se de lixo se tratasse.

De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta dos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus. Já foi dito que as religiões, todas elas sem excepção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana. Ao menos em sinal de respeito pela vida, deveríamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, nada mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real. Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como os outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar. Disse Nietzsche que isto seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel.

Durante séculos a Inquisição foi, ela também, como hoje os taliban, uma organização terrorista que se dedicou a interpretar perversamente os textos sagrados que deveriam merecer o respeito de quem neles dizia crer, um monstruoso conluio pactuado entre Religião e o Estado contra a liberdade de consciência e contra o mais humano dos direitos, o direito a dizer não, o direito à heresia, o direito a escolher outra coisa, que isso só a palavra heresia significa.

E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gémeas de Nova Iorque e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela acção dos homens, cobriram e teimam em cobrir de torpor e sangue as páginas da História.

Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o “factor Deus”, esse está presente na vida como se efectivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um deus, mas o “factor Deus” o que se exibe nas nota de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos e não a outra...) a benção divina. E foi o “factor Deus” em que o deus islâmico se transformou que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um deus andou a semear ventos e que outro deus responde agora com tempestades. É possível, é mesmo certo. Mas não foram eles, pobres deuses sem culpa, foi o “factor Deus”, esse que é terrivelmente igual em todos os seres humanos onde quer que estejam e seja qual for a religião que professem, esse que tem intoxicado o pensamento e aberto as portas às intolerâncias mais sórdidas, esse que não respeita senão aquilo em que manda crer, esse que depois de presumir ter feito da besta um homem, acabou por fazer do homem uma besta.

Ao leitor crente (de qualquer crença...) que tenha conseguido suportar a repugnância que estas palavras provavelmente lhe inspiram, não peço que passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento se não puder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do “factor Deus”. Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.



José Saramago - Nobel da literatura

(Transcrição do jornal “Público” de 2001/09/18)